11 setembro 2012

Carminha e Nina são o par romântico de 'Avenida Brasil', diz Débora Falabella


Da Folha de S.Paulo

Quando sua personagem Nina foi enterrada viva em "Avenida Brasil", Débora Falabella, 33, não precisou disfarçar o que estava sentindo naquele momento.


"Foi um horror! Era um pouco claustrofóbico. Estava frio, com a terra molhada. Era uma cena muito forte", diz a atriz, em entrevista à Folha.

Cenas fortes. Essa tem sido a rotina da intérprete desde a estreia da novela da Globo, em março deste ano.

"'Avenida Brasil' não poupa a gente", diverte-se ela, que encarna pela primeira vez uma protagonista do horário nobre.

Mas Nina não é igual às mocinhas tradicionais da TV. O que move a chef de cozinha é um desejo de vingança contra Carminha (Adriana Esteves), madrasta que a abandonou criança em um lixão.

Nas artimanhas da personagem vale mentir, roubar, seduzir homens casados e enrolar seu eterno amor de infância. Tudo para ficar mais perto de seu alvo.

"Carminha e Nina são quase como o par romântico da novela. É um trabalho em dupla e, apesar de sermos antagonistas, essa parceria com a Adriana é uma das mais especiais que tive na TV", diz.

"Temos de nos dar muito bem para conseguirmos nos odiar tanto na novela."
Sobre a popularidade da verdadeira vilã da história, Débora tem a resposta na ponta da língua.

"João [o autor João Emanuel Carneiro] fez uma inversão completa. De um lado, uma vilã solar e carismática; do outro, uma mocinha mais sombria, soturna... Do mesmo jeito que vemos maldade em Nina, enxergamos um lado humano em Carminha."

PÚBLICO

Com um texto bastante ágil e fotografia de alta qualidade, "Avenida Brasil" mobiliza torcidas pelo país todo.

"Quando penso em uma grande novela, como 'Roque Santeiro', não me lembro dessa repercussão toda. Hoje em dia, com a internet, parece que tudo virou uma coisa só", explica Falabella.

A audiência costuma alcançar a casa dos 40 pontos no Ibope --cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo--, em meio às reviravoltas que o autor propõe à trama.
Seria Nina a Beatrix Kiddo (Uma Thurman), dos filmes "Kill Bill v. 1 e v. 2", dirigidos por
Quentin Tarantino?

"Há cenas semelhantes. É uma referência muito próxima das pessoas, mas a Nina não é assassina, ou uma guerreira', responde a atriz, que também bebeu da fonte de romances como "O Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas, e "O Primo Basílio", de Eça de Queirós.

CARREIRA

Antes de Nina, Débora já interpretou tipos marcantes, como a riquinha viciada em drogas, na novela "O Clone" (2001), e uma deficiente mental no longa "Meu País" (2011), de André Ristum.

"Só uma atriz como Débora Falabella poderia abraçar uma personagem tão complexa e paradoxal como a Nina que, ao mesmo tempo, é doce e vingativa, apaixonada e obcecada", derrete-se o autor.


Débora Falabella se diz empolgada com a nova virada de sua personagem, em "Avenida Brasil".

A atriz falou à Folha por telefone no intervalo de uma gravação, no Rio.




Folha - Nesta semana, Nina será presa, perderá as fotos que provam a infidelidade de Carminha e cairá em uma armadilha de Max.


Débora Falabella - Sim, ela vai sofrer muito de novo. A novela é muito grande, então isso nos deixa instigados a seguir. Nenhum personagem é a mesma coisa o tempo inteiro. Estou preparada para mais sofrimento [risos].

Temeu rejeição do público por ser uma mocinha vingativa?
Nem um pouco. Nunca tive a preocupação de fazer uma personagem que cativasse todo o mundo. Quanto mais o João [Emanuel Carneiro, autor da novela] falava até onde ela chegaria para se vingar, mais eu ficava empolgada.

Como foi gravar as cenas em que Nina humilha Carminha?
Não tem coisa melhor do que xingar, explodir em cena. Adorei fazê-las. Afinal, a personagem estava se segurando o tempo inteiro e, no centésimo capítulo, ela explodiu e disse o que pensava.

Acredita na justiça de Nina?
Sim. No início, essa história de vingança era muito distante de mim. Agora, consigo entendê-la. Acredito na salvação da Nina, seja ela pela via da vingança ou pelo amor por Jorginho.

E o castigo da Carminha?
Ela tem que sentir tudo o que causou. Se ficar com o Tufão, não vai cair a ficha. O maior
castigo seria a Carminha reconhecer o mal que causou. Tomar consciência e se arrepender.

Sua filha também se chama Nina. Foi uma coincidência?
Prefiro imaginar que foi uma feliz coincidência, apesar de ela sofrer um pouco com as pessoas me chamando na rua de Nina. Esse nome só me trouxe sorte.

Ela assiste à novela?
Não, ela é muito pequena [tem três anos]. Mas eu tento contar o que acontece, e ela entende bem.

Como tem sido a rotina de gravações?
São oito meses de um trabalho intenso que, de alguma maneira, vai ficar. Então, vale a pena. Essa novela não poupa ninguém!

A Nina é a personagem que mais exigiu de você?
Sim. É uma entrega muito grande. No cinema são dois meses, no teatro, o tempo de ensaio é mais curto. Na TV, há dias em que trabalho 12 horas. Mas é maravilhoso. Na minha família, meu pai e minha irmã são atores, mas têm outras profissões. Achava que minha vida seria assim.

O que vai fazer com o fim de "Avenida Brasil"?
Vou ficar um tempo descansando e depois voltar para o meu grupo de teatro [o Grupo 3] já com uma nova montagem, que deve ser algo leve [risos].



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